Questões de ética: relações entre o design e a ecologia profunda

Contemporaneamente, podemos detectar uma postura crítica no design ecológico, enfatizando-o em sua dimensão discursiva e perceptiva como proposta de relação com o mundo. Este novo design critica as velhas e propõe novas formas de habitar o mundo, nas quais a tradicional questão epistemológica sujeito e objeto é reconfigurada. Aproximam-se então design e questões filosóficas desenvolvidas pela Ecologia Profunda (Deep Ecology) de matriz heideggeriana, tais como a questão do Ser em sua relação com a técnica e os modos de habitar o mundo. Trata-se então de investigar essa aproximação, relacionando design e contextos políticos mais amplos.

Texto publicado na Revista Estudos em Design, Volume 18.2 (PUC-RJ)

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Desenvolvimento sustentável: paradoxos e contradições. Em busca de um design ecocêntrico

Trata-se de problematizar a expressão “desenvolvimento sustentável” e um tipo de “design ecológico” antropocêntrico que a ela se vincula. O conceito de desenvolvimento possui uma raiz econômica vinculado à idéia de progresso aliado à promoção de um bem-estar para o homem. É um conceito essencialmente antropocêntrico, pois toma o homem como fim e a Natureza como meio ou instrumento. O conceito de sustentável, ao contrário, tem raiz ecológica e está ligado aos movimentos ambientalistas contestatários. Trata-se de um conceito ecocêntrico. O conceito de desenvolvimento, herdeiro da noção de progresso, implica em movimento e acúmulo. Ao contrário, o conceito de sustentabilidade implica em ordem, que não é estática, mas dinâmica, porém essencialmente distributiva e contrária a qualquer tipo de acúmulo. O design ecológico deve tornar-se crítico e ecocêntrico para cumprir seu papel histórico de reconciliar homem e Natureza, preservando a vida em sua dinâmica como um valor em si.

2º Simpósio Brasileiro de Design Sustentável

http://portal.anhembi.br/sbds/anais/SBDS2009-020.pdf